Guia Descorchados 2019

No último dia 9 de abril marquei presença no lançamento do Guia Descorchados 2019. Trata-se de um guia de vinhos da América do Sul (acredito que o mais importante por aqui), criado pelo chileno Patricio Tapia, jornalista e crítico de vinhos. Sua primeira edição foi no final dos anos 90, cobrindo apenas vinhos chilenos. Atualmente, contempla vinhos de Chile, Argentina, Uruguai e Brasil. A edição deste ano conta com quase 1200 páginas e trouxe o resultado de mais de 3000 vinhos avaliados em mais de 400 vinícolas espalhadas por esses 4 países. O guia traz, majoritariamente, vinhos com pontuação acima de 90. Nessa escala, o vinho encontra-se mais perto da perfeição quando sua nota está mais próxima do valor 100.

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A primeira edição que o Brasil participou foi a de 2015 (e eu fui no lançamento, pela primeira vez!) e cobria apenas os espumantes. Isso já mostra que temos excelentes espumantes por aqui. Já vinhos tintos e brancos apareceram pela primeira vez no ano passado.

O melhor vinho brasileiro deste ano foi o Espumante Sur Lie Nature 30 meses, da Casa Valduga (http://www.casavalduga.com.br/). Foi o primeiro que eu provei, assim que cheguei no evento. No Brasil, esse vinho recebeu as seguintes premiações do Guia:

  • Melhor espumante
  • Melhor espumante nature
  • Melhor espumante com método tradicional
  • Vinho Revelação
  • Melhor Vale dos Vinhedos

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Uma grata surpresa foi o melhor vinho branco no Brasil, vem da paulista Vinícola Guaspari (http://www.vinicolaguaspari.com.br/Site/php/home.php), localizada em Espírito Santo do Pinhal. Esse eu não consegui provar, infelizmente.

Nas avaliações gerais dos vinhos tintos e brancos, Argentina e Chile ainda possuem as notas mais altas. Já nos espumantes, o Brasil integra esse seleto grupo.

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O lugar estava lotado, com muitos profissionais da área de vinhos e enófilos estavam presentes no evento. Gosto de ir lá ver onde nosso país teve destaque. Mas, óbvio, faço um passeio geral para degustar os principais vinhos de cada um desses países. E, como eu gosto de Malbec, também fui atrás de provar os vinhos dessa uva. Descobri o Zuccardi Malbec (95 pontos), que possui uma suavidade bastante incomum para um Malbec.

Para que gosta de vinhos, é um evento que vale a pena. Pela bebida, pelas histórias que os enólogos que estão presentes contam e pelo livro também.

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Um brinde!

O final de 2015 se aproxima e com ele vem as confraternizações, festas e muitos brindes. E um brinde sempre chama um belo espumante. Em tempos de recessão e dólar mais caro, não é todo mundo poderá brindar com Champagne ou espumantes importados.

Por isso trago duas sugestões da Vinícola Garibaldi, localizada na Serra Gaúcha: Prosecco e Moscatel. Tive a oportunidade de degustá-los e ambos são de muito boa qualidade. O Prosecco é  um espumante seco (…) mas muito leve, sem aquele amargor característico de alguns espumantes brut nacionais de qualidade mediana. O Moscatel é doce, mas não é enjoativo. Boa parte dos brasileiros (principalmente quem não conhece direito) prefere vinhos doces, então pode ser uma boa opção para entrar no fantástico mundo dos vinhos finos.

Ambos receberam diversos prêmios tanto no Brasil, quanto na Argentina, França, Inglaterra e Itália. E eles custam em torno de R$ 30 a garrafa, mais barato em relação aos espumantes nacionais de boa qualidade.

Só resta escolher o favorito e fazer um belo brinde!

Obs.: Tive alguns imprevistos  e não consegui ser assídua no segundo semestre. Mas, espero movimentar esse blog a partir de 2016  (primeira promessa de ano novo!, rs…). Um feliz natal e um próspero ano novo a todos! E com muito vinho, claro! 😉

Neethlingshof Chenin Blanc 2014

Não sabia muito o que esperar desse vinho pois não conhecia a Chenin Blanc e tive uma grata surpresa.

No olfato, dá para notar claramente notas florais. Num primeiro momento imaginei que seria um vinho adocicado. Mas não é. Na boca ele é um vinho seco, porém é um vinho bem leve. É bem frutado, com uma lembrança bem suave de limão.

É um vinho que pode ser saboreado sozinho num dia de verão. Também pode acompanhar peixes, por causa da sua suavidade.

A uva Chenin Blanc é originária da França, mas se adaptou muito bem na África do Sul e ganhou o nome de Stein. Produz vinhos bons para serem consumidos no dia a dia.

Esse vinho é sul-africano e recebi pelo clube wine classic, edição de fevereiro. Abri somente neste final de semana e caiu bem para o meu gosto.

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Ser ou não ser…

Muita gente se contorce ao ouvir Sangue de Boi ou Chapinha. Não é difícil ouvir essas pessoas usarem de desdém: “Isso não é vinho!!!”. Quem nunca bebeu um dos dois, que atire a primeira pedra. E lamento dizer mas, segundo a legislação brasileira, são vinhos sim.

De acordo com definição do Ministério da Agricultura, vinho é a bebida resultante da fermentação de uva, com teor alcóolico de no mínimo 7%.

Dentre as categorias definidas, vinhos como o Sangue de Boi entram na categoria de Vinhos de Mesa. Eles são produzidos com uvas de parreiras americanas. Basicamente são as uvas que comemos em natura. Seu vinho apresenta um aroma característico, por causa da presença de uma substância denominada antranilado de metila. E em geral, são vinhos simples.

Há uma outra categoria, chamada de Vinhos Finos. São vinhos produzidos com uvas da espécie Vitis Vinifera, daí conta com inúmeras variedades: Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnay, Pinot Noir… Cada um deles gera vinhos com características próprias. Descrever todos eles vai ter muita história e mesmo assim, vai faltar muita coisa. Aos poucos…

No começo, só era possível encontrar Vinhos Finos importados, principalmente da Europa. Mas atualmente é possível encontrar bons vinhos chilenos com preços acessíveis em qualquer supermercado. O mercado brasileiro de vinhos tem investido muito em tecnologia e estão produzindo Vinhos Finos com muita qualidade.

Com uma variedade tão grande de vinhos, descobrir o tipo ideal depende de gosto. E cada um tem o seu. Descubra seu vinho ideal e faça um brinde a essa bebida refinada e complexa. 😉

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Chardonnay day

Não há consenso em relação ao dia em que é comemorado o Chardonnay day, mas varia entre 21 e 23 de maio. Não encontrei material o suficiente para contar a sua história. Mas é uma uva que vale a pena ser comentada.

Ela é orginária da região da Borgonha, na França. Mas existem plantações em praticamente todo o planeta, inclusive no Brasil. É uma uva bastante versátil que, dependendo das condições de plantio e colheira, pode render além de vinhos finos, espumantes e vinhos de sobremesa.

Ela é bastante versátil também na comida, pode tanto ser um dos ingredientes quanto pode acompanhar risotos, fondues, carnes brancas e queijos.

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Yes! Nós temos vinhos de boa qualidade!

Na última semana eu participei de uma desgustação de vinhos brasileiros que aconteceu na ABS-SP, com direito a casa cheia. Representantes de 5 vinícolas contaram um pouco da sua história, estutura técnica e apresentaram 2 de seus principais vinhos.

Meu favorito da noite, pra variar, foi o Sauvignon Blanc da Pericó (São Joaquim/SC), safra 2014. Foi eleito o melhor vinho branco da última ExpoVinis, que aconteceu na segunda quinzena de abril. Havia também dois espumantes: um Dunamis Champenoise Brut 2012 e um Perini Espumante Champenoise. O segundo faz parte do guia Descorchados de 2015. Os demais vinhos brancos eram da uva Chadonnay. A região sul tem revelado um bom potencial para a produção dessa uva.

Os vinhos tintos apresentados transitaram entre o Merlot, Cabernet Sauvignon e Tannat. A Pizzato apresentou um vinho safra 2009 feito com as 3 variedades. Descobri nessa noite, que Tannat é bastante comum no Uruguai (uma região ainda desconhecida para mim). A vinícola Aurora apresentou seu vinho Millésime safra 2011, uma linha especial que só é fabricada quando a safra da Cabernet Sauvignon é classificada como excepcional pelos seus técnicos.

Muita gente torce o nariz quando o assunto é vinho brasileiro. Muita gente pensa no Sangue de Boi (quem nunca tomou desse vinho que atire a primeira pedra, rs…) e outros vinhos de mesa. Mas o setor de vinhos finos vem crescendo ano após ano, investindo pesado em tecnologia, e garantindo produtos de boa qualidade no mercado. Esse ano, espumantes brasileiros entraram no guia Descorchados, mais um sinal da evolução brasileira no setor.  Sempre que eu puder, trarei alguma coisa nacional aqui. Se é bom, precisamos celebrar! 😉

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Fantinel Selezione di Famiglia DOC Grave Merlot 2012

Esse é o segundo Merlot da Fantinel que eu recebo pelo Clube Wine, mas desta vez de uma seleção mais sofisticada que a primeira. O vinho é da mesma vinícola, mesma uva. Mas a safra e a categoria são diferentes. E, de fato, são vinhos diferentes.

Sua cor é rubi, como o outro, mas com o halo começando a mudar para o âmbar. O aroma é um pouco defumado. Desta vez, não havia desequilíbrio entre acidez, álcool e taninos. Como o vinho anterior, não é muito forte em taninos. É um vinho fresco, mas com um amargo leve no final.

Mais uma vez, o vinho parece não ter agradado os assinantes, a maioria das avaliações são baixas.

Eu gostei mais deste do que o primeiro Merlot que eu provei da Fantinel. Mas continuo preferindo outros tipos de vinhos. Acho que não é um vinho para bebericar sozinho ou com petisco, precisa de comida para acompanhar.

Fiz um pene com molho à toscana, que casou muito bem com ele. Vi a receita num blog, e fiz uma compilação um pouco mais leve. O molho é com linguiça toscana sem a pele (para desmanchar na panela mesmo), tomate pelado (aquele vendido em lata), alho, cebola, manjericão, folha de louro, sal e pimenta a gosto.

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IMG_7302Obs: minha primeira publicação no blog foi do primeiro Merlot da Fantinel.