Pão e circo… por que não educação??

A algum tempo atrás me esculacharam porque eu tinha tuítado que existem muitos dias mundiais e, na minha opinião, não tinha utilidade prática alguma. Afinal de contas, milhões vão pensar a respeito do assunto no dia D. Mas e no dia seguinte ou no dia seguinte do seguinte? Teremos uma grande mobilização constante ou apenas daqui a 365 dias? Teremos ações práticas realmente efetivas? Desde a muito tempo que nós seres humanos aprendemos e descobrimos como desbravar e extrair elementos que facilitem a nossa vida. Desde a muito tempo que apenas tiramos proveito do que a natureza pode nos prover. Só depois que começou a escassez, que alguns de nós nos damos conta de que é necessário agir com cautela, aprendemos a não desperdiçar comida, a economizar água e luz. Mas muita gente não faz nada disso. Eu mesma cometo alguns deslizes.
Isso faz parte da educação que recebemos dos nossos pais, professores, colegas, de todas as pessoas que passam pela nossa vida. Normalmente, repassamos esse conhecimento adiante para nossos filhos e próximos. Se meus pais acham correto não jogar comida fora, isso fará parte de uma prática diária pessoal, e assim ensinarei meus filhos e netos a mesma coisa. Para o contrário, o repasse seria o mesmo.
E não pára por aí. Tem também tudo aquilo que julgamos como certo e errado. É certo atravessar a rua fora da faixa de pedestres, quando esta se encontra ali do lado? E cortar a frente de alguém no trânsito? E passar no farol vermelho?? É certo jogar lixo na rua, pela janela do ônibus? E depredar as lixeiras disponíveis na calçada? E abrir a embalagem fechada de algum alimento num supermercado e ficar comendo o produto, antes mesmo de pagá-lo (se pagar)? Educação diz respeito também a como se trata familiares, amigos e próximos. Se somos cordiais com outras pessoas ou não.
Esse ano temos eleições para presidente, governador, senador e deputados. Muito se fala das candidaturas bizarras, do quanto que isso tem causado indignação e, ao mesmo tempo, adesão. Há uma reportagem da folha.com indicando que o candidato que, provavelmente, causou mais polêmica nessas eleições teria votação recorde no país. Absurdo? Ou reflexo de um povo que não tem e não terá consciência da importância de escolher nossos representantes no governo. Muita gente votará nele porque é “engraçadinho”. Muita gente votará nele porque aquela cara é o retrato de uma grande massa, pobres, simples e sem muita instrução que realmente acreditam que uma pessoa à sua imagem e semelhança pode fazer alguma coisa por eles se estiver junto aos nossos governantes. Com isso, os espertos que a gente não vê tiram proveito desse tipo de situação. Não à toa, programas de governo que fazem “doações” para o povo são melhores aceitos do que aqueles que propõe a dar alguma formação educacional e profissional. E mesmo quando há programas que propõe a nos dar uma formação, ela é deficiente.
Existe algum meio para melhorar esse cenário? Acredito que não será com grandes revoluções que conseguiremos um governo melhor, um cotidiano melhor. Não existe solução a curto prazo para um mal que nos persegue a milênios. A mudança precisa começar dentro de casa, ao definir o certo e o errado das coisas, e optar conscientemente por seguir o que é certo. Aprender e ensinar a usar os recursos naturais de forma consciente, tratar as pessoas que encontramos pela vida de forma cordial e adequada. Estudar e ter uma formação profissional decente. Ter consciência de que nossas escolhas tem consequências e, por isso, ponderar antes de tomar nossas decisões. Podemos fazer uma revolução sem fazer todo esse barulho que se vê no dia a dia. E eu também tenho muito a aprender para tocar a minha revolução adiante… 😉

 

Só de sacanagem (texto de Elisa Lucinda)

Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova
Por quantas provas terá ela que passar? Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu, do nosso dinheiro que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam: “Não roubarás”, “Devolva o lápis do coleguinha”, “Esse apontador não é seu, minha filha”. Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.
Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará. Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar.
Só de sacanagem! Dirão: “Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo mundo rouba” e vou dizer: “Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.”
Dirão: “É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”. Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal. Eu repito, ouviram? Imortal! Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!

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