A última morte

Passava da meia noite quando seus olhos debruçaram sobre a sentença fatal. Suas suspeitas foram confirmadas. Seu lado racional já esperava por isso, mas seu coração continha um resto de esperança de que tal fato não se tornaria realidade. Imediatamente sentiu a dor no peito e seus olhos encheram-se de lágrimas. Teve dificuldade para respirar. Sua cabeça começou a girar. Embriagada, sem beber uma gota de álcool. Lia e relia, ainda incrédula. Sentia-se traída, decepcionada. Perdida. Sem ter a quem recorrer. Sem saber em quem confiar. A dor aumentava e seu choro era cada vez mais sofrido. O mundo em sua volta girava cada vez mais rápido. Por horas, não conseguia sequer raciocinar direito. Passou a madrugada lutando contra o que sentia naquele momento, em vão. A dor no peito era cada vez mais forte, a respiração era cada vez mais curta e difícil. Após muitas horas, não tinha mais lágrimas, mas seu gemido era muito cruel. E foi assim até amanhecer. Até sucumbir. Até que finalmente, dentro de seu quarto e deitada na cama, olhou para o teto e viu o céu da noite. E uma grande lua cheia. Então, cerrou os olhos.

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